Sensacional!! Arte e Ciência da Felicidade

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quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Instrumentação Rotatória

Esse mês de dezembro não é brincadeira... Mas, estamos todos vivos e a salvo, graças a Deus (rsrsr). Em nosso último texto sinalizamos que falaríamos sobre instrumentação rotatória e planejamento de objetivos, aproveitando o Novo Ano que se inicia.
Sobre instrumentação rotatória tenho a dizer que esse é um maravilhoso recurso à nossas mãos para dinamizar o trabalho endodôntico, permitindo melhor qualidade do preparo e conseqüentemente maior facilidade de obturação, além de também fornecer melhor qualidade à obturação endodôntica. E porque isso? Porque tais instrumentos possuem a característica de nos proporcionar um preparo cônico progressivo do canal radicular, com muita suavidade e sutileza, sem mudanças bruscas na posição e acabamento das paredes do canal. Acabamento das paredes do canal? Que papo de pedreiro é esse? Esse cara ta falando de obra? Vcs podem estar pensando nisso agora... Mas, o que quero dizer é que o acabamento das paredes do canal é tão importante quanto se realizar um preparo cônico. Na verdade, tudo isso é um conjunto. O uso de limas manuais na instrumentação de canais curvos pode provocar o aparecimento de “canaletas” e estas costumam se formar na parede contrária à curvatura radicular. Até porque esse é o princípio da limagem anticurvatura, discutida inicialmente por Goerig (1982). Essa técnica preconiza o princípio de que ao se tangenciar a curvatura do canal, diminui-se seu grau de encurvamento e com isso, promove-se a redução de stress sobre o instrumento, permitindo que se consiga chegar ao terço apical com instrumentos mais calibrosos, melhorando a qualidade da limpeza apical, minimizando-se o risco de fratura do instrumento. Sendo assim, ao realizarmos o preparo vislumbrando a parede contrária à curvatura, teremos um desgaste mais pronunciado e, portanto, o contato com as outras paredes será desigual. Essa desigualdade de contato gera irregularidades na parede e tal irregularidade pode prejudicar o selamento proporcionado pela obturação endodôntica. Em tais locais, o que promove o preenchimento é apenas o cimento obturador e este pode se degradar, permitindo a passagem de fluidos e/ou microrganismos. Desta forma, a instrumentação rotatória veio trazer grande contribuição não só ao preparo, mas à qualidade da obturação. O próprio desgaste inicial com brocas de Gates já foi um tremendo um avanço, pois, além de permitir todas as coisas que a gente já sabe, permitiu um acabamento mais regular da parede nas porções iniciais do conduto e assim, tal forma regular permite melhor adaptação do material obturador e com isso ganha-se em selamento! No entanto, mesmo mesclando a instrumentação manual do terço apical, com a rotatória com Gates nos dois terços iniciais do conduto, temos, em canais de grande curvatura, a formação, mesmo que minimizada, das tais irregularidades (canaletas) que já discutimos. Esse é um dos pontos que, a meu ver, a instrumentação rotatória com limas de níquel-titânio vem trazer grande contribuição. Não importa o grau de curvatura radicular, o instrumento rotatório de Ni-Ti sempre irá trabalhar por igual em todas as paredes. Essa regularidade de forma do preparo, de acabamento da parede é extremamente importante para a adaptação da massa obturadora e conseqüentemente do ganho de qualidade do selamento. É claro que canais com seção transversal circular por natureza permitem um trabalho melhor de tais limas do que aqueles com seção transversal irregular. Mas, mesmo em tais situações, pelo menos nas áreas que se tornaram regulares, com o contato do instrumento, haverá boa adaptação do corpo do material obturador. Assim, ao mesmo tempo em que temos um conduto preparado em sua forma ideal, com respeito à posição e à anatomia original do mesmo, dada à grande flexibilidade da liga de Ni-Ti, teremos ainda um acabamento por igual das paredes, fornecendo uma seção transversal de forma definida circular e, sem dúvida nenhuma, isso traz grandes benefícios aos resultados do procedimento.
Outra grande vantagem da instrumentação de Ni-Ti é o tempo que se ganha, permitindo aumento de nossa produtividade, e o menor desgaste de nossas articulações e tendões, minimizando o risco de doenças ocupacionais. Coisas que, aliás, a gente não costuma pensar, mas precisa aprender a levar em consideração. Ninguém vive de vento e como produzir com as mãos doloridas, machucadas e com dificuldade de movimentos? Como garantir qualidade ao tratamento se o tato está prejudicado? Como garantir qualidade se o que se ganha não é compatível com um investimento mínimo adequado em material e aperfeiçoamento profissional? Como garantir qualidade se o que se ganha não é suficiente para manter o ânimo, a disposição e a motivação necessários para se manter na profissão? São perguntas que precisamos nos acostumar a buscar respostas a ela. Em minha opinião, a instrumentação rotatória com limas de níquel-titânio acionadas a motor traz uma enooorme colaboração à resposta de tais perguntas...
Meu sistema de instrumentação no meio de toda essa quantidade de instrumentos do mercado? Técnica híbrida de Sistema K3 e TF Files ambos da Sybron Endo. Depois conto com mais detalhes o porquê. Já esclareço que não ganho nada pra falar da Sybron e não tem nada a ver com a minha amizade com o Grande Vieira, representante dela no Brasil. Os instrumentos são muito bons e me adaptei muito bem a eles. E uma grande vantagem, a meu ver: como o sistema k3 é bastante sortido em diâmetro e taper de instrumentos, vc pode montar a seqüência que quiser, dentro do seu padrão preferido. Não precisa obedecer a fórmulas prontas. Até porque cada canal é um canal e pode exigir abordagens diferentes...
Se desejarem, mandem suas dúvidas e sugestões que vamos abordando aqui nesse espaço, esclarecendo tudo com muita boa-vontade e prazer.
Abração a todos e obrigado.
Namastê!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Equilíbrio

Peço desculpas aos meus amigos, mas as últimas semanas foram intensas e não pude atualizar a contento o blog. Mas, como tudo na vida, a imperfeição é o caminho para a manifestação da Perfeição e acho que acabou sendo bom, pois foi mais uma oportunidade de outras pessoas lerem os outros tópicos e terem uma idéia mais completa do trabalho. Talvez teha sido um tempo providencial para assimilação do que já foi discutido...
Alguns me perguntam qual é o real objetivo dessa visão mais abrangente da Endodontia. Será que a idéia é substituir a intervenção endodôntica por alguma outra terapia alternativa? Será possível debelar a doença endodôntica e suas conseqüências com essa visão não-tradicional da especialidade? Apenas com o poder mental, a reprogramação das idéias e de suas íntimas convicções, é possível tratar a desordem endodôntica e estabelecer as bases para a reparação tecidual? Será que é isso que esse cara quer? (pensam muitos e me expressam alguns...)
Bom, a resposta é NÃO! Definitivamente NÃO. Não nego os avanços científicos no campo da Endodontia, como também não nego a necessidade da intervenção endodôntica, como também não nego a importância que a tecnologia tem para o desenrolar do procedimento, como ainda também não nego que a reparação somente se estabelecerá com o adequado controle microbiano do sistema de canais. Minha idéia é apresentar temas cuja tônica seja ampliar nosso foco de visão sobre o fato de estarmos intervindo em seres humanos e que, como tais, possuem um aspecto emocional/psicológico que merece sim ser vislumbrado. Mas, uma coisa não exclui a outra! Até porque se excluísse, o propósito desse trabalho estaria seriamente comprometido, pois o que desejamos é simplesmente não limitar nada. Apenas somar! O propósito é ampliar, somar, expandir a visão e não excluir nada! É abranger...
Acredito sim que essas visões da Endodontia se complementam! Formam um todo!
Sendo assim, é preciso equilíbrio e é isso que devemos buscar. O caminho do meio. O da virtude, da sabedoria e do equilíbrio. Há momentos da ciência ortodoxa, da abordagem tradicional, do controle microbiano, da modelagem adequada, do selamento eficiente, da proteção eficaz e tudo isso é permeado, preenchido, entremeado pela visão holística. Esse aspecto deve se integrar a todas as fases da nossa tradicional e querida Endodontia. Viva à instrumentação rotatória! Viva aos localizadores apicais! Viva à Microscopia! Viva às obturações termoplastificadas! Mas, viva à abordagem holísitica! Ao Ser Humano visto em sua integridade! Viva ao verdadeiro propósito de toda ciência da área de saúde: restabelecer o equilíbrio e devolver o bem-estar ao paciente!
E ao longo de todas idéias que aqui discutiremos não somente veremos a visão holística, mas discutiremos ainda a Endodontia sob a sua forma tradicional. Também temos idéias a esse respeito e conteúdo a ser mostrado. E ainda mais, existirão textos que abordarão pura e simplesmente a Vida. E, sinceramente, não me incomodo nem um pouco de dividir o pouco que sei com as pessoas. É um prazer.
Quem desejar fazer sugestões de temas fique à vontade! De agora em diante passo a listar abaixo de cada texto pelo menos dois dos temas que serão tratados nas postagens futuras...
Obrigado pelo carinho de todos!
Namastê!!
PS- Próximos tópicos: 1- Instrumentação Rotatória; 2- Planejamento de Vida (aproveitando a proximidade do Novo Ano)