Olá, amigos! Depois de uma pausa, estamos nós aqui de novo. Como nosso objetivo é trazer reflexões, vamos nessa...
Engraçado como as coisas são, só hoje li dois comentários deixados pela nossa amiga Flávia e o tema central é justamente algo que venho pensando nas últimas semanas...
Retratamento... Quando penso nessa possibilidade a primeira dúvida que me vem à mente é: se me proponho a retratar, estou me propondo a fazer MELHOR do que está. É possível?
Diante dessa dúvida, procuro avaliar criteriosamente o que de fato pode ter levado aquela endodontia a naufragar... Analiso, questiono, observo, testo e, sinceramente, fico olhando algum tempo para a radiografia, como que pensando em nada e tentando "escutar" o que ela quer me dizer...
Devo dizer que o tema é altamente surpreendente. Já me vi em inúmeras situações, com alta confiança, tendo plena certeza do sucesso e acabei quebrando a cara... Outras vezes, comecei pessimista, mantendo minhas expectativas em baixa e fui surpreendido por um sucesso retumbante...
Recentemente, uma querida aluna minha comentou a respeito de um retratamento de um molar superior que iniciou e que acabou perfurando a raíz distal. Em rápida conversa, onde tentamos entender o que aconteceu, identificamos a possibilidade de que algo muito mais comum do que se imagina tenha acontecido: a visão recorrente de que primeiro se desobtura e depois se corrige...
Chegamos à conclusão, na nossa rápida conversa, que as coisas não devem ser separadas, estanques, lineares. Como se fosse primeiro uma coisa e depois outra. Endodontia é uma ciência dinâmica, o procedimento da reintervenção endodôntica é, talvez, o mais dinâmico dentro dessa ciência. Quem se propõe a retratar, propõe-se a fazer melhor. Fazer melhor significa corrigir o que está inadequado. Corrigir pressupõe criar condições para que algo melhor se estabeleça. Assim, um erro muito comum é a distorção de percepção do problema. Sim, nossas ações são guiadas pela forma como percebemos as coisas. Essa percepção é toda embasada nos filtros mentais que possuímos fincados nas nossas crenças e convicções interiores. Sendo assim, a crença comum, diante do retratamento, é que devemos primeiro desobturar, colocar nossa atenção em remover o conteúdo dos condutos, para depois estabelecermos as correções necessárias. No entanto, essa idéia é inadequada na medida em que, para realizarmos as correções necessárias no interior do conduto, é preciso espaço físico para que o instrumento faça as manobras necessárias para retomar um comprimento ou trajetória perdidos, ou tomar um novo caminho que nos leve à solução. Se estivermos com nossa atenção somente focada no processo de desobturação, nossa tendência será reproduzir todo aquele caminho já construído e que levou o caso ao insucesso. Estaremos, portanto, reproduzindo o insucesso. Todavia, se desejamos escrever uma nova história, reproduzindo o insucesso, teremos um final diferente? Acredito que não e a minha opinião é corroborada por aquela velha citação de Einstein de que "o maior sinal de loucura é fazer a mesma coisa repetidas vezes e esperar resultados diferentes".
Sendo assim, a etapa do retratamento, além de se iniciar obrigatoriamente por um criterioso exame inicial da situação, buscando identificar e compreender bem o que de fato levou o tratamento ao insucesso, passa também por uma percepção e visão de que ao mesmo tempo que vamos desobturando, vamos corrigindo, melhorando as imperfeições. Dito assim parece meio vago. Portanto, vamos falar mais objetivamente: boa parte dos problemas é provocado pelo pobre acesso e preparo dos canais. Cirurgia de acesso inadequada, falta de preparo da entrada dos condutos e do terço médio. Se focarmos apenas em desobturar para depois realizarmos essas importantes etapas, estaremos apenas recriando aquele preparo que não deu certo. Esse não é nosso objetivo. Nosso objetivo é o de já criar uma forma melhorada, corrigida de preparo. Assim, vamos em primeiro instante trabalhando com o foco nesse aspecto e a desobturação é consequência natural do processo. Com o acesso adequado e os devidos desgastes compensatórios já tendo sido feitos, criamos todo o espaço físico necessário para as manobras seguintes. As perdas de comprimento e os desvios de trajetória comumente acontecem no terço apical. Se não criamos o devido espaço nos terços imediatamente anteriores para o instrumento modificar sua posição, como esperamos corrigir o problema? Se não crio condições para identificar acertadamente as estruturas anatômicas coronárias e radiculares, como espero saber onde devo e onde não devo trabalhar? Se não identifico acertadamente o que de fato levou o tratamento ao insucesso, como posso achar que o que fizer irá resolver o problema?
Lembro-me de uma célebre frase do Prof. Franklin Weine: "restauração inadequada de dentes tratados endodonticamente é um fator de insucesso muito mais prevalente que os costumeiros da terapia endodôntica". O que significa isso? Significa que em muitas situações o que levou a endodontia a naufragar não foram as etapas em si da especialidade, mas principalmente as deficiências da "tampa da panela", como costumava dizer um professor meu. Se quem se propuser a retratar endodonticamente não vislumbrar esse lado do problema e não buscar correção para isso também, pergunto: o problema será resolvido?
Então, precisamos entender que o processo de definição de uma reintervenção é algo muito mais amplo e complexo e merece uma decisão que seja bem meditada e refletida.
Essa semana que se passou estive diante de várias dessas questões, e devo dizer, é preciso ter a mente aberta e uma boa disposição para avaliarmos a questão sob diferentes ângulos, sob pena de reproduzirmos, recriarmos o fracasso e isso, certamente, não interessa a nenhuma das partes: nós e nossos pacientes. Defendo aqui que não devemos ter uma visão limitada, viciada e apenas focada em um lado da questão: retratamento endodôntico, só devemos olhar a parte endodôntica. Não, definitivamente não. Devemos estar em uma atitude aberta, dispostos a vislumbrar e esgotar todos os lados da questão. Aí sim, somente depois desse acurado exame, partirmos para a intervenção já buscando melhorar o que precisa ser melhorado...
Namastê! Até a próxima!Ótima semana a todos!!!
Leo
Uma Vida SENSACIONAL é obra de toda uma preparação que, em sua maioria, fica no domínio do INVISÍVEL: a mente humana. As aparentes vitórias e alegrias são resultado das invisíveis raízes da mente: nossos PENSAMENTOS e SENTIMENTOS. Uma Vida SENSACIONAL pessoal, profissional, social, familiar, financeiro ou em qualquer outro campo que se desejar é resultado de uma PREPARAÇÃO mental e emocional apropriada para o desenvolvimento pessoal. Fique à vontade! Leia, medite, reflita, opine...