Sensacional!! Arte e Ciência da Felicidade

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sábado, 17 de julho de 2010

Relação estado emocional/reparação tecidual. É possível?

Olá, amigos. Conforme prometido no último texto nosso objetivo hoje é discutir um pouco a respeito do embasamento científico para abordagens psicológicas apropriadas aos pacientes da Odontologia, em termos gerais.
Primeiro quero contar um pequena história: estava eu zapeando na net, pulando de site em site, quando no do jornal O Globo, vi a seguinte manchete: "Estudo relaciona emocional com cicatrização de feridas". Pensei comigo: "ôpa! Isso aqui me interessa!". Abri a reportagem e vi um resumo de um estudo muito interessante desenvolvido na Inglaterra, avaliando a velocidade de cicatrização de feridas com aspectos emocionais. Esse estudo foi liderado pelo Prof. John Weinman, do Departamento de Psquiatria da Universidade King´s College, de Londres. Mais do que rapidamente entrei em contato com ele, por e-mail, apresentando-me e relacionando algumas dúvidas. Recebi uma resposta muito atenciosa e gentil dele, inclusive esclarecendo algumas dúvidas e juntamente me encaminhou quatro artigos já publicados por ele e sua equipe, todos pesquisando essa linha...
Só tenho a dizer uma coisa a vocês: um novo mundo se descortinou! Tudo que intuitiva e empiricamente pensava sobre o assunto vem sendo estudado de forma séria, metódica e sistemática por gente que realmente sabe e entende do assunto. Conclusão? Muito do que temos conversado é comprovado cientificamente.
Bom, a partir desse contato com o Prof. Weinman, descobri nas referências dos artigos dele outro nome de respeito nessa área de pesquisa: a PsicoNeuroImunoEndocrinologia. Pescou o nome? Pois é, a ciência que interrelaciona a Psicologia/Neurologia/Imunologia/Endocrinologia e como tudo isso funciona junto. Achei o nome da Profa. Janice Kiecolt-Glaser, da Universidade de Ohio. Também entrei em contato com ela por e-mail e também gentilmente recebi uma resposta onde me encaminhou em arquivos pdf 200 artigos sobre essa linha de pesquisa que ela e seu marido vem estudando desde 1984. Podem imaginar? Desde 1984? E eu pergunto: porque não se relaciona isso com a Odontologia? Porque não adaptar esses estudos à Endodontia e às outras áreas que envolvem cirurgia na Odontologia? Estão todos ocupados demais com materiais e técnicas... Esqueceram do Ser Humano...
Mas, o mote da questão é: como a percepção de stress por parte do paciente, bem como aspectos psicológicos próprios de cada um interferem na regulação endócrina dos pacientes e consequentemente na regulação do sistema imunológico, acelerando ou atrasando os mecanismos de reparo tecidual, pós-intervenções cirúrgicas. Especialmente pela ação dos hormônios do stress (adrenalina e mais especificamente o cortisol), deprimindo o sistema de defesa e os mecanismos de reparo, como a liberação de diversos mediadores químicos como interleucinas 1, 6 e 8 e TNF alfa e beta, como diversos fatores de crescimento celulares...
Um número? Pacientes que no pré-operatório tiveram e oportunidade de extravasar e desabafar traumas do passado tiveram velocidade de cicatrização tecidual 11% maior que os que não foram submetidos a essa situação. Pacientes com alto índice de cortisol, coincidiram com os que, respondendo a questionários específicos para determinação do perfil psicológico, se mostraram mais ansiosos, pessimistas e estressados por natureza. Também esses mesmos demonstraram ser os com velocidade de reparação tecidual mais lenta, pós-procedimento cirúrgico padrão.
Outro estudo demonstrou que estudantes em época de exames na faculdade têm maior dificuldade de cicatrização do que quando submetidos ao mesmo procedimento em época de férias... Vários outros existem (na área de cardiologia, sobre pós-operatório imediato e tardio de pacientes submetidos a cirurgias de ponte de safena e outras)
e uma vasta linha segue adiante...
Daqui estou "devorando" esses estudos e nosso objetivo passa a ser mais incisivamente como relacioná-los com a nossa área, a Odontologia como um todo, buscando elaborar um protocolo de conduta adequado para cada tipo de paciente, com a finalidade de colaborar para trans e pós-operatórios mais harmônicos, tranquilos e processos reparacionais mais bem sucedidos e em menor tempo.
Em minha humilde opinião acredito estarmos diante de um novo mundo a ser explorado pela Odontologia, vislumbrando agora outra parte da questão: o indivíduo.
Concito a todos a entrarem nessa empreitada e os que estiverem interessados em colaborar estou à disposição para trocarmos idéias e, quem sabe até, estabelecermos um grupo de trabalho para juntos explorarmos essas novas possibilidades, obedecendo o princípio de enxergarmos nossos pacientes como um todo: Holismo.
Namastê! Obrigado pela atenção! Em breve novos textos e novidades sobre essa linha de pesquisa!
Abração!