Quero agradecer a todas as manifestações de carinho e incentivo que tenho recebido. Tem sido bastante encorajador e prazeroso. Mas, reitero novamente o convite para que todos participem deixando suas opiniões e enriquecendo o debate. Estou à disposição de todos!
Mas, dando continuidade, os budistas comentam com muita propriedade sobre a necessidade de nos conscientizarmos da importância de estarmos no Agora. Sim, é fato que, embora poucos parem para pensar sobre isso, vivemos em um constante e eterno Agora. Passado e futuro são apenas aspectos desse interminável agora que vivemos. Os mestres da Sabedoria costumam dizer que onde está seu pensamento é onde vc está na realidade. Olhando os hábitos mentais que alimentamos podemos verificar que estamos sempre lembrando, rememorando ou lamentando algo do passado e projetando, visualizando, antevendo algo do futuro. Mas, fica a pergunta: quem está aqui agora? Quem está comandando o momento presente? Um futuro e um passado de qualidade dependem visceralmente de uma consciência integralmente no presente. Sim, porque ambos dependem das escolhas que fazemos. Quando as escolhas que fazemos são de boa qualidade, o passado é recheado de alegria, tranqüilidade, satisfação e bem-estar. Quando as escolhas que continuamos fazendo são de boa qualidade, o futuro é risonho, repleto de sucesso, alegria, tranqüilidade, satisfação e bem-estar. Quando as escolhas não são lá boas, o passado é frustração, talvez culpa, e o futuro de ansiedade e pessimismo. Mas, ambos aspectos do tempo presente dependem de uma vivência integral no Agora, no momento da tomada de decisões. Tomamos decisões a todo momento, a todo instante, e temos pleno livre-arbítrio para isso. Cada um qualifica seu mundo e sua realidade da forma como quer. Joe Vitale, escritor metafísico norte-americano, comenta com bastante propriedade que a todo momento exercemos nosso direito mais básico de escolha: sermos felizes ou infelizes. Cada um escolhe como quer. Mas, para escolher é preciso estar aqui, pois ao não estarmos focados aqui, no agora, quem toma as decisões por nós são nossos hábitos e condicionamentos, e se os mesmos não forem lá de boa qualidade, já imaginou o tipo de decisões que tomaremos, não é verdade?
Mas, depois desse preâmbulo sobre o Agora, o que tem isso a ver com a Endodontia, por exemplo? Muito a ver, meus amigos, em minha humilde opinião. Vejo os reflexos desse raciocínio todos os dias em meu trabalho e nos trabalhos de meus queridos alunos de especialização, que estão em fase de treinamento. Quando iniciantes na especialidade, a expectativa e a ansiedade são grandes. A vontade de realizar maior ainda. O medo de falhar também não fica atrás. E quem sabe, a vontade de finalizar logo e visualizar o resultado de seu trabalho maior ainda, não é verdade? Quem já não começou uma endo pensando em como ficaria no final? Querendo até andar um pouco mais rápido prá ver logo como ficou? Vejam quantas forças atuam em nossas mentes impulsionando-nos para o futuro, para o término do procedimento. Contudo, o resultado é fruto direto das ações tomadas agora no momento presente. É o diagnóstico bem vivido. A cirurgia de acesso bem vivida e experimentada. O preparo do conduto bem sentido, trabalhado, modelado, visualizado mentalmente pela cinestesia e gradativamente modificado. A obturação tridimensional bem vivida, vigilante, atenta. E, por fim, o selamento coronário integralmente checado e vivenciado. São alguns dos importantes passos que coroam o resultado do trabalho. É aí que o Poder do Agora atua de forma marcante e impactante. Ao nos centrarmos no agora, no centro de decisões, nas ações que estão sendo presentemente desenvolvidas, o resultado positivo é mera conseqüência natural do processo. Ao invés de foco nos resultados, os budistas defendem foco na ação. E sabem muito bem do que estão falando. Tudo é encadeado, uma seqüência natural e quando a ação é bem executada, bem vivida, o resultado é apenas o reflexo da presença dessa consciência integral.
É engraçado porque vejo essas coisas nitidamente nos meus alunos. Ao analisar uma radiografia de um molar superior obturado, por exemplo, costumo perceber que a raíz mesial usualmente tem um preparo mais acentuado, um desgaste um pouco mais pronunciado que nos outros condutos. Para mim o que é isso? O aluno se preocupou muito com aquele conduto, deixando os outros um pouco de lado. É até natural que isso aconteça já que sabemos que os dentes costumeiramente mais retratados são os primeiros molares superiores e, em especial, a raíz que normalmente apresenta maiores problemas é a mesial. Pela sua curvatura e pela presença do 4° canal (mésio-palatino). Então, é a raíz onde o cara fica mais ligado, mais preocupado e observamos isso com muita clareza nas radiografias finais. No entanto, o objetivo é desenvolvermos o equilíbrio e as outras raízes merecem também abordagens dignas, pois o insucesso ronda em todos lados. Assim, acho importante desenvolvermos essa consciência presente, focando a ação em si, porque essa abordagem leva naturalmente ao equilíbrio ao trabalho por igual. Portanto, leva ao sucesso e à satisfação. Canais pouco ampliados, pouco trabalhados, em meus alunos, costumo interpretar como essa pressa em terminar logo, em acabar logo. Seja lá qual foi o motivo, houve pobreza do alargamento e conseqüente dificuldade de obturação porque, muitas das vezes, o profissional estava com pressa e seu pensamento, sua consciência não estavam no momento da execução. O pensamento estava longe e era que lá que ele estava... Somente o corpo físico estava ali...
Costumo brincar com meus alunos para, ao estarem atendendo, irem percebendo o que se passa em suas cabeças e, de vez em quando, se perguntarem: onde estou? O que estou fazendo? e além disso, incentivo-os a responderem para si mesmos essas perguntas: estou sentado atendendo o Sr. Fulano, instrumentando o conduto, com o instrumento tal. Esse pequeno raciocínio tem por finalidade treinar essa consciência de presença no momento presente. Eckhart Tolle em seus magníficos "O Poder do Agora" e "O Despertar de Uma Nova Consciência" dá muito mais detalhes desse pensamento de centralização e, sem dúvida nenhuma, são uma leitura que recomendo muito a qualquer pessoa. As aplicações dessa atitude de presença são inúmeras e indubitavelmente trazem equilíbrio e bem-estar, na medida em que nos permitem viver integralmente nossas vidas, aproveitando cada minuto, cada segundo e não dando espaço para o remorso ou para a lamentação.
Namastê!
Uma Vida SENSACIONAL é obra de toda uma preparação que, em sua maioria, fica no domínio do INVISÍVEL: a mente humana. As aparentes vitórias e alegrias são resultado das invisíveis raízes da mente: nossos PENSAMENTOS e SENTIMENTOS. Uma Vida SENSACIONAL pessoal, profissional, social, familiar, financeiro ou em qualquer outro campo que se desejar é resultado de uma PREPARAÇÃO mental e emocional apropriada para o desenvolvimento pessoal. Fique à vontade! Leia, medite, reflita, opine...
2 comentários:
ola prof Leo, acredito muito na sua filosofia do aqui/agora, se não estiver presente na hora da abertura e instrumentação..........o bicho pega.heheheee.a obturação não vai dar certo..concorda? um abraço
Léo, estou encanda com estes textos... que maravilha vc esta nos proporcionando.
Obrigada!!! Obrigada e Obrigada!
Que profundidade...que realidade....que impagável.
bjim
Postar um comentário