Olá, amigos. Uma breve pausa na nossa sequência anterior de textos sobre abordagem psicológica, para discutir algo que perturba muito tanto pacientes, como profissionais: aquele dente tratado canal que "é sensivel e que toda vez que bato nele, doutor, é diferente, é dolorido". Já se depararam com situações como essas? Tenho certeza que sim. É comum aos endodontistas...
Porque isso acontece? Porque certos dentes podem apresentar esse quadro? Será que isso é próprio do dente, do grupo dentário a que pertence ou é uma particularidade do paciente? Mas o mesmo paciente com endodontia feita em dentes diferentes apresentou esse quadro em apenas um... Será que fui eu?
Penso que isso se deve a todos esses fatores em conjunto, mas, em especial, o que mais influencia, em minha opinião, é o fato de ainda não termos controle absoluto sobre o local no qual fazemos o corte do tecido pulpar. Como sabemos, polpa e ligamento periodontal tem a mesma origem embrionária, tendo similaridade de estruturas, e, na região transitória entre o canal dentinário e o canal cementário, conhecido popularmente como CDC, esses tecidos se "misturam". No canal dentinário: polpa dental. No canal cementário: ligamento periodontal. Na transição? Um pouco dos dois... De forma que: 1°- nunca sabemos ao certo onde é o CDC (principalmente partindo-se do princípio de que utilizamos radiografias para nos guiar); 2°- na transição, não sabemos onde começa um e termina outro.
Sendo assim, não temos absoluto domínio sobre onde estamos efetuando o corte para a exérese da polpa. Nas vezes em que removemos um pouquinho mais de ligamento, em que invadimos um pouquinho mais esse tecido, são situações em que podemos ter a instalação de um quadro inflamatório crônico, nada demais, mas que dá ao paciente esse percepção de sensibilidade. É como um indivíduo que opera o joelho e ao voltar a andar sempre sente que aquele é diferente do outro, mais dolorido, mais sensível...
São ligamentos da mesma forma, porém em escalas diferentes... Mas, o que vejo de mais significativo nessa história e que tem verdadeiro potencial para eliminar todo tipo de rusga na relação paciente-profissional é a informação.
Isso precisa ser passado, explicado e mostrado ao paciente. Da mesma forma que é preciso que o profissional se certifique de que este entendeu a questão. Como definiu muito bem uma amiga nossa, a Helena, lá de Itajubá: "tudo que é dito antes é informação. Tudo que é dito depois é desculpa". A clareza dela fala por si só, não é?
O paciente precisa estar consciente de que o dente tratado endodonticamente, por natureza, será um dente "diferente". É um dente que terá sua sensibilidade e propriocepção alterada pela natureza da intervenção endodôntica. É necessário esclarecer que eventualmente esse quadro descrito no inicio do texto pode vir a se instalar...
Entretanto, deixo aqui claro que NEM toda sensibilidade é oriunda do que expusemos aqui. É preciso examinar, avaliar o caso, fazer os testes necessários etc. No entanto, nas condições em que houver inexistência total de mais outros sinais e/ou indícios de alteração esse quadro é o que está presente. Ainda é fruto da nossa imprecisão em determinar o local certo e não só em determinar, mas também em executar no local certo o corte do tecido pulpar. Ainda temos muito o que evoluir na nossa área. Mas, fica aqui o alerta de que uma boa conversa, esclarecedora, paciente, atenciosa pode fazer verdadeiros "milagres" no trans e pós-operatório em todos os sentidos, inclusive no que tange à relação paciente-dentista.
Namastê! Muita Paz a todos!!!
Uma Vida SENSACIONAL é obra de toda uma preparação que, em sua maioria, fica no domínio do INVISÍVEL: a mente humana. As aparentes vitórias e alegrias são resultado das invisíveis raízes da mente: nossos PENSAMENTOS e SENTIMENTOS. Uma Vida SENSACIONAL pessoal, profissional, social, familiar, financeiro ou em qualquer outro campo que se desejar é resultado de uma PREPARAÇÃO mental e emocional apropriada para o desenvolvimento pessoal. Fique à vontade! Leia, medite, reflita, opine...
Sensacional!! Arte e Ciência da Felicidade
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4 comentários:
Seu blog estámuito bom, Léo!
Ah, meu amigo, se todos fossem igais a você! Nossa profissão ganharia muito, melhor, a humanidade ganharia muito!
Pax & Lux
edilene
Retratamento
Fazer novamente o que alguém fez, sempre foi p mim uma tarefa das mais complexas em minha vida clínica.
Hj pela primeira vez, em 8 anos de endodontia iniciei um retratamento de um dente feito por mim e isto mexeu muito com meus pensamentos.
Nunca tive a arrogancia de pensar q isto não aconteceria comigo, mas confesso q é estranho vc ter q refazer algo q vc julga q fez da melhor forma possível.
Cresci muito hj ao aroma de eucaliptol....
Me fez repensar na possibilidade de tentar fazer ainda melhor e com mais cuidado .... pois "a melhor forma possível" ainda não é a melhor forma possível.
Abraços,
Flávia
Deixa eu explicar... fiz este canal a dois meses atrás... a paciente nao sentia nada....mas comecou a fazer um tratamento de pele e sentiu que ao massagear a regiao do 14 sentiu q estava dolorido... apartir dai ela comecou a me telefonar reclamando... examinei e vi q nao existia sintomatologia....fiz percussao, palpaçao e rx... nada diferente....
Mas ela voltou dizendo q o dente esta diferente e q ele é doido qdo ela bate a unha...rs
Decidi retratar...rsrs
Foi isto.
Bjs
Flávia
Certamente que não, Flávia! Vc tem toda razão. Não existe a melhor maneira. Existe a que é possível e a que melhor dominamos.
No texto desse mês faço algumas observações sobre o retramento, justamente porque também tenho "crescido muito ao aroma do eucaliptol". Adorei essa forma poética de ver o retratamento!rsrs... Muito legal!
Obrigado por nos acompanhar e mais ainda por participar!
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